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MEIO FILTRANTE - Saiba como funciona o abastecimento em dois dos maiores aeroportos do Brasil

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Saiba como funciona o abastecimento em dois dos maiores aeroportos do Brasil

Data:31/7/2018

No Galeão e em Guarulhos, são dutos que garantem o transporte do querosene de aviação

Foto: Imprensa CNT

Os aeroportos de Guarulhos, em São Paulo, e do Galeão, no Rio de Janeiro, são os únicos terminais do Brasil que recebem o combustível que abastece os aviões diretamente por dutos subterrâneos.

Esse sistema garante segurança no fornecimento do QAV (querosene de aviação) e funciona nos terminais paulista e carioca desde quando foram inaugurados. Guarulhos começou suas operações em 1985, e o Galeão, oficialmente em 1977. Recife, em Pernambuco, também dispõe de sistema semelhante, mas somente em um terminal. ?Em todos os outros aeroportos brasileiros, o fornecimento do querosene de aviação é feito por meio de caminhões-tanque. 

O que são os dutos?

Conforme a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), oleodutos são dutos terrestres ou marítimos, de transporte ou transferência, que movimentam petróleo, líquidos de gás natural, condensado, derivados líquidos de petróleo e gás liquefeito de petróleo, e todos os produtos líquidos cujas operações de movimentação sejam reguladas pela agência. Em todo o Brasil, são 7,5 mil quilômetros de oleodutos. A capacidade é para 10 milhões de metros cúbicos.

Guarulhos

No aeroporto de Guarulhos, o abastecimento é viabilizado por meio de três oleodutos – um com 66 quilômetros e outros dois com 120 quilômetros cada. Os derivados de petróleo e álcool vêm das refinarias de Revap - Vale do Paraíba (Paulínia), de Revap - Guararema (São Caetano do Sul) e de Recap - Capuava (São Sebastião). 

O terminal transfere o QAV (querosene de aviação) para abastecer os aviões e também armazena combustíveis para atender ao mercado consumidor da região. São 9,5 quilômetros de dutos somente no aeroporto. O sistema tem capacidade para transportar o combustível utilizado nas mais de 90 mil decolagens realizadas por ano.

Dentro do terminal, o querosene de aviação é armazenado em tanques da Transpetro – braço da Petrobras que cuida do transporte e da logística de combustíveis pelo país. 

Após a armazenagem, o QAV fica em repouso por 24 horas, um procedimento de qualidade adotado pela Petrobras. Isso permite segregar, por decantação, possíveis contaminantes, como a água. Depois, são feitas análises em laboratório para a chamada recertificação do combustível, num processo que dura aproximadamente oito horas.

Para abastecer as aeronaves, Guarulhos dispõe de dois expedientes: pelos CTAs (caminhão-tanque abastecedor) e pelo SRV (servidor de hidrantes). Esse último é utilizado em poucos aeroportos no Brasil e, em São Paulo, apenas o de Guarulhos possui essa estrutura.

Diariamente, o aeroporto de Guarulhos consome cerca de 8 milhões de litros de querosene de aviação. Em caso de interrupção do serviço, o aeroporto tem um estoque de reserva para três dias de operação. 


Foto: Plural/Divulgação

No Galeão

No Rio de Janeiro, o querosene de aviação é enviado diretamente da refinaria Duque de Caxias (Reduc) para o aeroporto do Galeão. De acordo com a concessionária RIOgaleão, o fornecimento para as aeronaves é realizado por meio de pits de abastecimento, sistemas que transportam o combustível por tubulações subterrâneas. São 11 quilômetros de dutos com capacidade para até 9 milhões de litros de combustível todos os dias. 

O terminal consome atualmente cerca de 3,4 milhões de litros de querosene de aviação. Assim como no caso do aeroporto paulista, o Galeão também conta com tanques de armazenamento com estoque de reserva para até três dias em caso de interrupção do fornecimento, o que representa 12 milhões de litros de combustível.

O combustível disponibilizado ao aeroporto permite a realização de 456 mil decolagens por ano. Em 2017, foram 16,2 milhões de passageiros transportados. Mesmo dentro dos aeroportos, o querosene de aviação continua a ser transportado por dutos subterrâneos até chegar aos tanques dos aviões. 

No portão de embarque ou no pátio de estacionamento, um caminhão servidor liga o duto de combustível à asa do avião. Esse caminhão não armazena o combustível. Ele funciona apenas como uma bomba para transportar o querosene dos dutos até os tanques do avião. Além disso, o caminhão tem filtros, medidor volumétrico e equipamento para amostragem do produto para garantir a sua qualidade. 


Vale a pena?

Segundo o gerente nacional da Raízen, responsável pela logística de distribuição de combustíveis em Guarulhos, Leonardo Campelo, os aeroportos de Guarulhos e Galeão, “por terem sido construídos para serem hubs internacionais, foram concebidos como bases primárias conectadas diretamente às refinarias”. Ele diz que o principal motivo dessa ligação era o volume de movimentação estimado dos aeroportos, à época de sua construção, o que de fato se confirmou. 

Além disso, Campelo pondera que a implantação desse tipo de sistema é onerosa, mesmo que, posteriormente, a operação tenha custos menores. Na avaliação dele, os aeroportos geralmente estão localizados em áreas de alta densidade demográfica, o que provoca um custo muito alto para planejar, fazer as perfurações e implementar o sistema. “O investimento em dutos é bastante elevado e, até o momento, não houve projetos que viabilizassem a construção de outros sistemas, similares aos de Guarulhos e do Galeão, em aeroportos.”

Você sabia?

As aeronaves precisam ser abastecidas antes de cada voo com querosene de aviação (JET A-1). Para saber a quantidade de combustível necessária ao abastecimento de aeronaves, é preciso fazer um cálculo com base em uma série de variáveis, como número de passageiros e tripulantes; distância do voo (horas); peso do veículo aéreo; peso da carga total (carga normal, cozinha e alimentação). 

Além disso, é sempre importante adicionar uma quantidade de combustível de segurança, caso a aeronave não consiga abastecer na próxima parada esperada. Também é exigido extremo cuidado no ato do abastecimento a fim de evitar o risco de contaminação, o que pode causar falhas mecânicas e, por extensão, até acidentes.

Diego Gomes
Agência CNT de Notícias
http://www.cnt.org.br

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