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Garrett prepara fornecedores para produzir turbos leves no País

Data:8/10/2018

Empresa prevê que todas as montadoras no Brasil vão oferecer automóveis turbinados entre 2020 e 2021 

PEDRO KUTNEY, AB
 
A Garrett Advancing Motion – novo nome da fabricante de turbocompressores que esta semana se separou do grupo Honeywell (leia mais aqui) – começa a preparar sua cadeia de fornecedores para produzir em sua fábrica de Guarulhos (SP) turboalimentadores para veículos leves de passageiros. Segundo confirma Eric Fraysse, presidente global de aftermarket e da operação brasileira da Garrett, fabricantes de veículos já confirmaram pedidos no Brasil para turbinas que vão equipar motores de 1 a 1,4 litro a partir de 2020 e 2021. 

“Pelo que já sabemos todas as fabricantes vão oferecer carros turbinados em quase todas as suas linhas de produtos a partir de 2020/2021, e para isso precisam de produção local. Por isso precisamos preparar desde já os fornecedores e em 2019 devemos iniciar a introdução de novas células de produção em Guarulhos”, afirma Fraysse.


O principal gargalo na cadeia de produção de turbos no País, segundo aponta Fraysse, é o fornecimento de carcaças fundidas, que além de ferro fundido precisam ser feitas em ligas metálicas com dosagens variadas de níquel e cromo para trabalhar em altas temperaturas, o que requer processos produtivos mais sofisticados, nem sempre disponíveis. “Por isso precisamos trabalhar desde já com os fornecedores”, explica. Ele não descarta inicialmente importar componentes, mas reforça que isso só vale para volumes baixos. “Não podemos importar tudo para produzir em alta escala.”

CICLO ATRASADO


Por falta de clientes fabricantes de veículos de passageiros, a Garrett atualmente produz em Guarulhos apenas turbos para veículos diesel, como picapes, caminhões e ônibus, fornecendo cerca de 15 modelos de turbinas diretamente às fábricas e também no mercado de reposição – que na América do Sul representa perto de 40% das vendas devido à envelhecida frota de caminhões com idade média de 20 anos. 

Christian Streck, diretor geral da Garrett Brasil, calcula que a produção local de turbos leves começa a valer a pena com volumes a partir de 50 mil/ano. Ele reconhece que esperava que esses pedidos chegassem bem antes, para aplicação em carros que precisavam cumpris as metas de eficiência energética do programa Inovar-Auto, encerrado no fim de 2017. “A adoção de turbos depende da legislação. O problema é que veio a crise e os fabricantes atrasaram os projetos, mas com as novas metas de eficiência previstas no Rota 2030 os projetos vão ser retomados”, explica. 

Atualmente só a BorgWarner no Brasil fabrica turbos para veículos leves flex, usados só pela Volkswagen que os aplica em seus motores 1.0 e 1.4 produzidos em São Carlos (SP) que equipam Up!, Polo, Virtus, Golf e Audi A3 Sedan. Existem turbos Garrett rodando em modelos leves no País, mas são todos importados com seus respectivos motores, como é o caso dos Hyundai HB20 1.0 e versões diesel de Fiat Toro, Jeep Renegade e Compass. 

“Seria uma desvantagem para nós não estarmos no Brasil nesse momento, pois já começa a existir volume suficiente para justificar a produção local de turbos leves [para motores otto]. Isso deverá fazer nossa produção subir acima de dois dígitos porcentuais nos próximos anos”, afirma Fraysse. 

Segundo projeções da consultoria IHS, os países da América do Sul consumiram 700 mil veículos turbinados em 2017 e a estimativa é que esse volume deverá mais que triplicar para 2,4 milhões de unidades/ano até 2022.


Fonte: www.automotivebusiness.com.br

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